{"id":661,"date":"2026-03-26T01:42:11","date_gmt":"2026-03-26T01:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/gressadvocaciaconsultoria.com.br\/blog\/?p=661"},"modified":"2026-03-26T01:42:11","modified_gmt":"2026-03-26T01:42:11","slug":"reforma-tributaria-reflexos-na-reestruturacao-empresarial-e-desafios-para-cumprimento-do-plano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gressadvocaciaconsultoria.com.br\/blog\/reforma-tributaria-reflexos-na-reestruturacao-empresarial-e-desafios-para-cumprimento-do-plano\/","title":{"rendered":"Reforma Tribut\u00e1ria: reflexos na reestrutura\u00e7\u00e3o empresarial e desafios para cumprimento do plano"},"content":{"rendered":"\n<p>A reforma tribut\u00e1ria sobre o consumo introduzida pela Emenda Constitucional n\u00ba 132\/2023, com a cria\u00e7\u00e3o do IBS (Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os) e da CBS (Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os), representa uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural no sistema tribut\u00e1rio brasileiro. Embora a discuss\u00e3o esteja majoritariamente centrada nos impactos sobre a tributa\u00e7\u00e3o do consumo, seus efeitos tamb\u00e9m alcan\u00e7am o direito empresarial e os processos de recupera\u00e7\u00e3o judicial, especialmente no que se refere \u00e0 viabilidade econ\u00f4mica dos planos de reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos processos recuperacionais, o fluxo de caixa projetado e a previsibilidade dos custos tribut\u00e1rios constituem elementos essenciais para a elabora\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o e para a negocia\u00e7\u00e3o com credores. A substitui\u00e7\u00e3o de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo novo modelo de tributa\u00e7\u00e3o sobre valor agregado pode alterar significativamente a din\u00e2mica de creditamento, a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e a estrutura de custos das empresas, impactando diretamente as premissas financeiras utilizadas nos planos aprovados ou em elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio torna-se ainda mais complexo diante das mudan\u00e7as trazidas pela Lei Complementar n\u00ba 225\/2026, que instituiu o C\u00f3digo de Defesa do Contribuinte. A norma n\u00e3o apenas consolida direitos e garantias na rela\u00e7\u00e3o entre contribuinte e Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria, como tamb\u00e9m estabelece mecanismos mais rigorosos para o enfrentamento dos chamados devedores contumazes, contribuintes cuja conduta se caracteriza pela inadimpl\u00eancia tribut\u00e1ria substancial, reiterada e injustificada.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito federal poder\u00e1 ser caracterizado como devedor contumaz o contribuinte que possua d\u00e9bitos tribut\u00e1rios irregulares superiores a R$ 15 milh\u00f5es e equivalentes a mais de 100% do patrim\u00f4nio conhecido, desde que verificada reitera\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez caracterizada essa condi\u00e7\u00e3o, a lei prev\u00ea san\u00e7\u00f5es relevantes, como a impossibilidade de acesso a benef\u00edcios fiscais, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o com o poder p\u00fablico e outras medidas administrativas voltadas a impedir a utiliza\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia tribut\u00e1ria como estrat\u00e9gia concorrencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns casos, a legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estabelece limita\u00e7\u00f5es ao uso de instrumentos de reorganiza\u00e7\u00e3o empresarial, como a recupera\u00e7\u00e3o judicial, quando configurada a condi\u00e7\u00e3o de devedor contumaz, justamente para evitar que o instituto seja utilizado como mecanismo de blindagem de passivos tribut\u00e1rios estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a intersec\u00e7\u00e3o entre reforma tribut\u00e1ria, pol\u00edtica de conformidade fiscal e regime jur\u00eddico do devedor contumaz traz novos desafios para empresas em crise econ\u00f4mico-financeira. A distin\u00e7\u00e3o entre o contribuinte que enfrenta dificuldades tempor\u00e1rias, situa\u00e7\u00e3o comum em processos de recupera\u00e7\u00e3o judicial, e aquele que adota a inadimpl\u00eancia tribut\u00e1ria como modelo de neg\u00f3cio torna-se central para a aplica\u00e7\u00e3o equilibrada da legisla\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria Lei Complementar n\u00ba 225\/2026 busca estabelecer essa diferencia\u00e7\u00e3o, reconhecendo que a inadimpl\u00eancia ocasional decorrente de dificuldades econ\u00f4micas n\u00e3o deve ser confundida com pr\u00e1ticas estruturais de evas\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse novo ambiente normativo, a elabora\u00e7\u00e3o e a revis\u00e3o de planos de recupera\u00e7\u00e3o judicial passam a exigir uma an\u00e1lise ainda mais cuidadosa dos riscos tribut\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma tribut\u00e1ria sobre o consumo introduzida pela Emenda Constitucional n\u00ba 132\/2023, com a cria\u00e7\u00e3o do IBS (Imposto sobre Bens 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