{"id":659,"date":"2026-03-26T01:39:49","date_gmt":"2026-03-26T01:39:49","guid":{"rendered":"https:\/\/gressadvocaciaconsultoria.com.br\/blog\/?p=659"},"modified":"2026-03-26T01:39:50","modified_gmt":"2026-03-26T01:39:50","slug":"stf-reconhece-constitucionalidade-de-medidas-contra-devedor-contumaz-de-icms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gressadvocaciaconsultoria.com.br\/blog\/stf-reconhece-constitucionalidade-de-medidas-contra-devedor-contumaz-de-icms\/","title":{"rendered":"STF reconhece constitucionalidade de medidas contra devedor contumaz de ICMS"},"content":{"rendered":"\n<p>O Supremo Tribunal Federal formou maioria para reconhecer a constitucionalidade de medidas restritivas direcionadas a contribuintes classificados como devedores contumazes de ICMS, no julgamento da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade n.\u00ba 7.513.<\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia envolve dispositivos da legisla\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo que instituem um regime especial de fiscaliza\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel a contribuintes que deixam reiteradamente de recolher o imposto estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos das normas questionadas, especialmente a Lei estadual n\u00ba 6.374\/1989, o Decreto n\u00ba 45.490\/2000 e a Lei Complementar estadual n\u00ba 1.320\/2018, poder\u00e3o ser submetidos a esse regime especial contribuintes que apresentem d\u00e9bitos superiores a 40 mil UFESPs (aproximadamente R$ 1,5 milh\u00e3o) relativos a seis per\u00edodos de apura\u00e7\u00e3o dentro dos doze meses anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as medidas previstas est\u00e3o a intensifica\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o mediante acompanhamento permanente por fiscal de rendas, a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 frui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais vinculados ao ICMS e a exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o da entrada de mercadorias ou do recebimento de servi\u00e7os para fins de aproveitamento de cr\u00e9ditos do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o descumprimento do regime especial pode ensejar consequ\u00eancias mais gravosas, como a suspens\u00e3o ou cassa\u00e7\u00e3o da inscri\u00e7\u00e3o estadual e o impedimento de emiss\u00e3o de documentos fiscais, o que pode impactar diretamente o exerc\u00edcio da atividade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>No voto do ministro relator Cristiano Zanin destacou que a jurisprud\u00eancia do Supremo admite a ado\u00e7\u00e3o de medidas administrativas restritivas \u00e0 atividade do contribuinte quando os meios tradicionais de cobran\u00e7a, especialmente a execu\u00e7\u00e3o fiscal, mostram-se ineficazes diante de situa\u00e7\u00f5es de inadimpl\u00eancia reiterada e estruturada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, segundo o relator, a ado\u00e7\u00e3o de instrumentos adicionais de fiscaliza\u00e7\u00e3o pode revelar-se leg\u00edtima para preservar a isonomia concorrencial e a livre concorr\u00eancia, evitando que contribuintes que sistematicamente deixam de recolher tributos obtenham vantagem competitiva indevida no mercado. O entendimento majorit\u00e1rio tamb\u00e9m ressalta a distin\u00e7\u00e3o entre o contribuinte eventual ou circunstancialmente inadimplente e o denominado devedor contumaz, cuja conduta se caracteriza pela inadimpl\u00eancia sistem\u00e1tica e reiterada, muitas vezes incorporada ao pr\u00f3prio modelo de neg\u00f3cio. Nessa perspectiva, as medidas previstas na legisla\u00e7\u00e3o paulista n\u00e3o configurariam, em tese, san\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, historicamente vedadas pela jurisprud\u00eancia da Corte, mas sim instrumentos de fiscaliza\u00e7\u00e3o diferenciada destinados a enfrentar situa\u00e7\u00f5es de contum\u00e1cia fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dessa maioria no STF representa importante sinaliza\u00e7\u00e3o jurisprudencial no enfrentamento da inadimpl\u00eancia tribut\u00e1ria estruturada, refor\u00e7ando a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o de regimes especiais de fiscaliza\u00e7\u00e3o voltados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio concorrencial e da arrecada\u00e7\u00e3o estatal. Ao mesmo tempo, a decis\u00e3o reacende o debate acerca dos limites constitucionais entre medidas leg\u00edtimas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e restri\u00e7\u00f5es administrativas potencialmente caracteriz\u00e1veis como san\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, tema que permanece sens\u00edvel no direito tribut\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, importante referir que embora a decis\u00e3o do STF represente um movimento de fortalecimento dos mecanismos estatais de repress\u00e3o \u00e0 inadimpl\u00eancia tribut\u00e1ria estruturada, seus potenciais reflexos sobre empresas em recupera\u00e7\u00e3o judicial merecem especial aten\u00e7\u00e3o. Isso porque, em hip\u00f3teses nas quais o elevado passivo tribut\u00e1rio decorre de crise econ\u00f4mico-financeira efetiva, e n\u00e3o de uma estrat\u00e9gia deliberada de inadimplemento, a aplica\u00e7\u00e3o de medidas restritivas t\u00edpicas dos regimes destinados ao devedor contumaz pode comprometer a continuidade das atividades empresariais, esvaziando, na pr\u00e1tica, a finalidade recuperacional de preserva\u00e7\u00e3o da empresa, dos empregos e da fun\u00e7\u00e3o social da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, o entendimento firmado pela Corte, embora relevante sob a \u00f3tica concorrencial e arrecadat\u00f3ria, tamb\u00e9m desperta preocupa\u00e7\u00e3o no setor empresarial e entre os agentes envolvidos em processos de reestrutura\u00e7\u00e3o, diante do risco de que empresas em situa\u00e7\u00e3o de crise sejam equiparadas, de forma inadequada, a devedores contumazes, com a consequente imposi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es capazes de agravar ainda mais sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal formou maioria para reconhecer a constitucionalidade de medidas restritivas direcionadas a contribuintes classificados como devedores contumazes 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